Um post para ninguém, mas para ela: de uma brasilenha dondenado na terra da rainha para uma Inglesileira.

Eu lembro das mãozinhas dela gesticulando há 11 anos, 3 meses e 20 dias atrás, na rua da Assembléia, 51, centro da cidade do Rio de Janeiro, acompanhadas de um jeito discreto com sorriso de canto de boca me explicando/ensinando/iniciando no que hoje chamo com orgulho de ‘carreira’, ‘vida profissional’, “working experience”, “carrera profesional”, e sabe lá Deus quando vou poder chamar de “carrière”, entre tantos idiomas que podem vir a fazer parte do meu repertório no futuro.

Na época, a única coisa que eu tinha era um inglês de cursinho, uma faculdade pela metade, experiência na empresa do meu pai (que na verdade era uma desculpa muito engenhosa dele de me ensinar o valor do trabalho), e muita, muita, muita vontade de poder dizer que era funcionária de uma multinacional, ter um carimbo na carteira de trabalho e ser ‘independente’.

Nessa época ela foi a pessoa que apontou para o meu pobre curriculum e disse: É ela. Hoje ela continua me escolhendo, e mesmo quando não pode me escolher influencia os que podem.

Rola a fita porque o que aconteceu em 11 anos é um tanto íntimo demais, desnecessário demais e na minha relação com ela, podemos até dizer que ‘esquecível’ demais.

Voltando às mãozinhas, elas voltaram a me ensinar a etiqueta e o sabor do chá inglês, 11 anos depois de me ensinar láá no dentro da cidade do Rio de Janeiro, como atualizar a intranet do Beauty Pro, almoçando no suqueiro pão árabe com peito de peru para ser magra e suco de laranja com cenoura para ser mulata – nossa economia do almoço de cada dia disfarçado de -projeto Valéria Valença- (entendendores entenderão).  Essas mãozinhas tão dela também servem de ilustração poética para a consultoria técnica profissional quando recentemente disse entre tantas outras coisas: “- Rafa, essa foto do Linkedin não tá boa” ou que “-Em Londres se ganha bem mas se gasta ótimo”, ou que “- Que inveja dessa alcinha porque aqui só tem 5 dias de verão”, e por fim “- Eu acho essa cidade f*da”, em uma paradoxa delicadeza muito inglesa só dela.

Falando em Rafa, só para ela eu sou Rafíssima… Um dos meus apelidos mais queridos.

No meio (ou no fim) do caminho do nosso segundo encontro europeu, um acidente aconteceu e me abalou profundamente por 10 dias. Seja por azar, seja por olho gordo, seja por pequenez alheia ou pelo mesmo destino que nos uniu, eu perdi todos meus registros  mais intensos e inesquecíveis desses meus 5 dias muito ingleses. Recentemente ouvi de uma das pessoas mais importantes da minha vida que eu estava tão focada nessa perda que não estava aproveitando as realizações dos meus sonhos recentes. De fato amigos, me perdoem a ostentação, mas eu vivi momentos de sonho que sempre quis mas nunca imaginei viver na vida neste mês de agosto de 2017, (como por exemplo poder andar no banco da frente do segundo andar dos ônibus vermelhinhos de Londres Mais.de.uma.vez).

Ironias à parte, esse momento do ônibus como alguns outros não estão no meu instagram, muito menos foram notados por pessoas ‘próximas’ e que se ‘ acham entendedoras da minha vida’, baseando-se nas minhas publicações.

Sandersons mad hatter tea party

Mad hatter tea party em Londres, carinhosamente escolhido por ela por saber da minha paixão pelo Livro de Alice no País das maravilhas

Esse post que você lê agora, aconteceu no momento que já estou em Madrid, revendo minhas ultimas fotos postadas onde observei em uma delas as mãozinhas que me refiro, segurando um bule LINDO do rei de copas com uma coroa de cartolina preta, me servindo chá no Mad Hatter Tea Party do hotel Sandersons em Londres, embora elas tenham me servido muuuitos chás na minha estadia Real. A ocasião foi nosso chá das 5 quase ébrio, não fosse pela ÚNICA taça rica que eu não ia deixar passar, afinal eu não poderia sair de Londres sem brindar dignamente com ela tudo aquilo.

Aquilo que foi tão sutil e bonito de ver, não foi apenas instagramável,  mas também cheio de calor e sentimento por dentro, coisas que não aparecem na foto mas que eu digo aqui para você agora, como todo clichê que eu vivi. Aliás, aqui cabe uma obs extracurricular: Depois de ver Paris, Disney Paris, Disney Orlando, Londres, Madrid, Barcelona, Dubai, ou qualquer que seja a combinação ou quantidade de destinos, desde que haja um sentimento de “não acredito que estou aqui”, você passa a entender o clichê. Para mim o cliché turístico nada mais é que o beliscão que você precisa para voltar para à realidade e a ficha cair de que sim, você chegou ali. Eu não tenho a MENOR vergonha dos meus clichês… Como brasileira sofrida e massacrada pelo meu país (neste momento ela vai pensar; olha a mágoa da Rafa com o Brasil rs) que eu tanto amo, eu sou clichêzeira assumida! (meu HD externo que o diga…)

Enfim … O que aconteceu aconteceu porque tinha que acontecer. Mas mesmo que a lição seja “Rafaela exponha-se menos”, eu não vou me arrepender, pois parafraseando nossa pensadora contemporânea, eu desejo mesmo à todas as inimigas vida longa, para que elas vejam cada dia mais nossa amizade.

Captura de Tela 2017-09-07 às 23.17.34

Ultimo dia de Londres: Feriado nacional e uma vivência so british graças à ela.

Dos 5 dias londrinos, me sobraram menos que10 fotos somente porque foram postadas. Mas eu que fotografo tudo pela pouca memória que tenho te digo agora:  Tire a capa amarela do Dondenado para ler isso: Obrigada por nossa história Clarissa Donda.

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