Cocido Madrileño Nuevo Horno de Santa Teresa

HOT SPOT Onde comer em Madrid – Cozido Madrileño temperado com lição de marketing

Contexto: Levei um ano até provar um dos ícones gastronômicos de Madrid – O Cocido Madrileño. Tudo porque cheguei aqui perto do verão e com passar do tempo nunca tive companhia para caçar essa iguaria local e uma das poucas exclusividades da capital espanhola. Afinal, qual a graça de comer cozido sozinha? Logo eu, de família portuguesa/nordestina, com tradição de cozidos domingueiros em familhão.

Fiquei 12 meses sem saber o que era o tal cocido até que meus primos vieram me visitar ainda em temperaturas abaixo de 20 graus, e me pediram indicação.

Fer.rou.

Eu não sabia onde comer um bom cozido, mas sabia quem sabia: O Google e o TripAdvisor.

Fuçando, chegamos no nome que estava do topo da lista de restaurantes em Madrid sob a categoria comida espanhola para comer cozido. E o nome do lugar era um nunca ouvi falarRestaurante Nuevo Horno de Santa Teresa“.  Sem maiores referências mas confiando que a voz do povo é a voz de Deus, arriscamos e ligamos para reservar. Era 13h, e se ligássemos 5min depois ficaríamos sem comer cozido porque o restaurante só abre para a hora do almoço e se chegássemos depois das 15h não daria tempo de comer antes dele fechar.

Sorte ao nosso lado, saimos da praça Sol e em poucos minutos estávamos em Chueca, mais precisamente na Calle Santa Teresa, 8.

Review Gastronômico: O COCIDO MADRILEÑO DA DONA LOLA

O lugar é bem ‘castizo’ como se fala no idioma de Cervantes. Fachada simples, interior simples, atendimento simples. Esqueça os ambientes ‘de diseño’, modernos e capas de artigos da Vogue España, Time Out Madrid ou Condé Nast… O papo aqui é TÍPICO, TRADICIONAL, CASEIRO, JUSTO. Não tem maquiagem nem pompa, mas tem uma das coisas mais gostosas que você pode comer na sua vida (Se você curte cozidos em geral, claro).

O serviço é impecável na sua simplicidade e legitimidade. Somos recebidos pela simpática dona (e herdeira) Lola, que com muita simpatia, habilidade e agilidade começa o serviço trazendo da cozinha travessas preparadas familiarmente que nos serve com a ajuda da sua filha.

Como é o cozido? Assim como o cozido brasileiro (ou pelo menos como comemos lá em casa), as guarnições vem separadas. Primeiro ela traz uma sopeira com um caldo MA.RA.Vi.LHO.SO, que nada mais é que a água do cozimento das carnes e legumes. Ele poderia ser comparado ao nosso pirão, mas nesse caso é a entrada. Ah, e ele tem macarrãozinho, ou fideos (parece um espaguetinho mais fino e curtinho, muito popular aqui na Espanha).

Caldo do Cocido Madrileño - entrada

Sopinha de entrada do Cocido Madrileño

Enquanto começamos os trabalhos com o caldo digno de comer rezando, chegam as travessas de Garbanzos (Grão de Bico, que é praticamente o feijão preto do espanhol), e os legumes. Entre os legumes vem basicamente batata, repolho, vagem e cenoura (aqui na Espanha não existe não é comum encontrar chuchu, nem couve, nem batata doce). Ah, e não vem arroz, isso é assunto lá para Valencia – terra origem da Paella. Logo depois, vem a travessa das carnes, cheia de pedaços de porco, cortes bovinos, peças de defumados e embutidos, mas neste quesito eu me limitei a uns trozos (pedaços) de jamon e alguma coisa de chorizo que é uma espécie de linguiça espanhola, mas que nada tem a ver com nosso paio ou calabreza muito menos com o Chorizo de sangue de boi. O prato final completão tem essa cara BOA aqui:

Prato de Cocido Madrileño, mais parecido com um Pêéfão.

Cocido Madrileño no Nuevo Horno de Santa Teresa – Madrid.

Depois do cocido, finalizamos com uma sobremesa (Só para constar, porque nesta altura eu estava a um passo de pedir uma ambulância) e cafézinho. A conta, mais do que justa diante da falta de fome que tivemos nas próximas 20 horas foi essa aqui:

Conta cocido Madrileño para 3

Conta cocido Madrileño para 3

Cereja do bolo: A lição de marketing

E onde está o mkt citado no título? Essa foi a segunda grande surpresa do almo-janta do dia. Ao final, Dona Lola bateu um papinho com a gente, perguntando sobre nós, de onde somos, se somos turistas etc e nos conta um pouco a história da casa que foi fundada pelo seu pai que vez em quando vai lá se entreter na cozinha, hoje comandada pelo seu marido, se não me engano. Nos explica que eles somente abrem para almoço como opção e não por falta de demanda (um luxo do estilo de vida local, trabalhar para viver, não viver para trabalhar), e nos pede para tirar uma foto nossa, como registro da visita. Como despedida, nos dá um cartãozinho e pede que se pudermos, para deixarmos nossa opinião no TripAdvisor. Tálá Galvão! O grande pulo do gato e maior sacada da Dona Lola, que toca uma casa das antigas mas não é boba nem nada! Quer influencer melhor que seus próprios clientes, cuidadosamente recebidos, tratados e servidos por ela mesma?

Infelizmente não achei mais o cartãozinho, que andou comigo durante muito tempo tamanho meu encanto pela sacada. Mas basicamente, ele tinha a logo do TripAdvisor gigante, dados básicos do restaurante, página do facebook e uma breve mensagem pedindo para deixarmos opinião. Resultado?

 

 

Mas Rafa, o que ela fez com a foto que tirou de vocês? O mesmo que faz com todas a mesas de clientes que vão atras do tesouro da sua família: POSTA NA PÁGINA OFICIAL DO FACEBOOK, com uma mensagem fofa de carinho e agradecimento… Ok que não deixamos direito de imagem nem nada, mas acho que ninguém voltou pra reclamar.

 

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Spot: Nuevo Horno de Santa Teresa

Onde: Calle Santa Teresa, 8 – Chueca – Madrid

Como chegar: Metro Alonso Martinez (Segunda rua à esquerda, descendo a Plaza Santa Barbara)

Quando ir: Outono, Inverno e Primavera. Se aventurar a comer cozido no verão é uma aventura por sua conta.

Horário de funcionamento: De segunda à sábado, de 13h as 16h.

O quanto indicamos: MUITO

 

Ah e não acabou. Info por trás dos bastidores do post. Vocês nem notaram o quanto eu fiquei apaixonada pelo caldo né? Pois é, se não notaram, deixo assumido e registado aqui que eu CASARIA com aquilo. Viveria de caldo. Então perguntei se ela poderia nos vender uma porção para viagem. Ela meio sem jeito me disse que não teria embalagem para isso, e eu insisti que qualquer coisa serviria, desde pote de mel até frasco de azeite vazio. Ela fofa como é me mandou um gestinho com a mão pedindo para esperar que ia ver o que poderia fazer. No final do cafézinho, veio ela, se desculpando pelo improviso:

Caldo do cozido da Dona Lola para viagem

Caldo do cozido da Dona Lola para viagem: Me senti saindo da casa da minha avó com o jantar garantido.

Me diz se é ou não é para amar essa gente Madrileña?

 

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