6 bons motivos (educativos) para ser Tinderela vivendo no país das maravilhas estrangeiras

Recentemente durante 10 dias Madrid usou emprestado de Paris o título de “cidade do amor” em função da World Pride. O bairro de Chueca, referência colorida na cidade para a tolerância foi a capital do amor livre. Muita festa na rua, uma campanha massificante e muito bem feita pela prefeitura, e muitas reflexões sobre as formas de amor foram o assunto da semana.

Aqui link para o pedido (lindo) de Madrid para a vizinha Paris emprestar o título.
Aqui resposta (simpática) da prefeita de Paris

E já que consideramos justa todas as formas de amor, e não julgamos (nem invejamos) o sentimento que nasce no coração dos apaixonados, resolvi trazer um assunto um tanto polêmico à tona, a fim de quebrar paradigmas e extrair os benefícios de tudo isso… Neste caso, a proposta deste post não é provocar a já mais que provocada discussão de gêneros, mas sim comentar sobre um aspecto muito moderno e atual nas relações tanto homo quanto heteressexuais mesmo, porém ainda mal visto, julgado e criticado, quase que um tabu maior que a questão dos gêneros, para ressaltar os prós de usar recursos sociais focados em relacionamentos para otimizar a experiência de imersão em um idioma. Falei bonito para te propor o seguinte:

Vamos falar de Tinder? 😎

Sim, eu fui uma Tinderela. Na verdade como Hamlet, vivo sendo e não sendo, porque como além de tolerantes com a sexualidade alheia também trabalhamos com verdades, eu digo: tem horas que dá no saco estar ali. É tudo meio igual, nada acontece, ninguém tem cavalo branco e muito menos é príncipe. Mas enfim, a gente também não é tão princesa assim né, então segue o baile.

Massss, falado de príncipes e princesas, calcem esses meus sapatinhos Louboutin de princesa Disney expatriada: Você chega em um país novo, SOLTEIRA, com apenas UMA amiga brasileira E comprometida, querendo fazer amigos nativos e praticar o idioma. Nossas opções eram:

(    ) A – Não fazer nada e esperar o tempo se encarregar de ter piedade de nós e fazer um monte de estranhos para baterem na nossa porta nos chamando para sermos amigos.

(    ) B – Voltar correndo para a mamãe, continuar travada até no portuñol, reativar o chip 021 e se sujeitar aos clássicos “Oi Sumida” que não cansam de ir e vir nos nossos Whatsapps e seguem sem ter vergonha na cara desde mil novencentos e bolotinhas… (e sem querer me gabar mas já te dando o bizu, eles atravessam o oceano nas férias e mandam o ‘oi sumida’ na maior cara de pau já em terras madrilenhas tá? Me aconteceu e não foi uma vez).

(✔️ ) C – Aproveitar o que a tecnologia coloca ao nosso dispor e se aventurar a buscar ‘Chicos guapos’ nos aplicativos.

Rapaz, sem entrar em detalhes da minha vida privada, íntima, particular, e sem vender um peixe falso de que o seu amor está ali SIM e alimentar a ideologia romântica que possa existir em você, eu te digo: TINDER é UTIL PARA CARAMBA (Mas sua satisfação emocional não é garantida, e muito menos você vê seu dinheiro de volta, seja lá quanto você venha a gastar nesta empreitada).

Voltando à realidade nua e crua, atribuo aos APPS de relacionamento várias coisas legais para uma experiência intercultural que sozinha eu não conseguiria desenvolver. São elas:

  1. Ver a cidade sob o olhar de um local: Os destinos dos convites de encontros sempre eram uma das agradáveis surpresas (o que nem sempre acontecia ao conhecer o candidato em si). Como na conversa você consegue saber se a pessoa está na cidade só de passagem ou já é local, fica mais fácil selecionar pessoas que tenham algo a agregar, e as chances de ele(a) conhecer lugares legais são imensas. Um dos encontros mais interessantes que tive foi na estação de Atocha, embora este seja um dos pontos turísticos da cidade, mas que eu nunca tinha tido motivos para ir já que se trata de uma estação de trem. Ele sugeriu esse lugar pois no final daquele dia ia viajar para a cidade dele, embora morasse em Madrid. De fato me senti em uma cena de filme, porque, dá uma olhada no ambiente na foto abaixo. Sem contar que ele era LEEENDO. Sem contar também que era do sul, da região de Andalucía, e com isso eu tinha que entender um sotaque cheio de vícios, em uma velocidade alucinante e com várias letras comidas. Acho que por falha na comunicação a coisa não foi muito adiante. Outro encontro muito legal foi em um bar Muito Muito Muito Castizo (adoro essa palavra). Na verdade era uma dessas tabernas tradicionais, com senhores que falam para dentro atrás do balcão e cervejas acompanhadas de ‘Tapas riquíssimas’=’petiscos deliciosos’, todas gratuitas (tradição das tapas espanholas). Saí de lá falando para minha mãe que tinha comido a costela assada mais gostosa da minha vida e praticamente jantada depois de 4 cervejas. Foto abaixo também.

2. Literalmente fazer um intercâmbio cultural: Nesse tipo de relação assunto não falta se a curiosidade de ambos sobre suas origens existir mútuamente, e sem dúvidas esse é o ambiente ideal para contar mais da nossa cultura, desfazer alguns pré-conceitos sobre nosso país, derrubar estereótipos e vice e versa. Nas minhas ‘explorações’ com espanhóis (prefiro chamar assim, já que casar e brincar de casinha não era meu foco ainda), conheci muito mais uma Espanha que eu jamais pensei que existia e fui apresentada à palavras, cidades, comidas, bebidas e costumes que só conhecendo alguém local poderia conhecer, pois nada disso se aprende nas aulas de espanhol para estrangeiros.

3. Melhorar o vocabulário coloquial: Esse é um dos maiores trunfos nesse tipo de curso intensivo de espanhol, já que se digita muito e a linha da conversa é a conquista. Logo palavras e expressões muito específicas para este tipo de comunicação aparecem, e em geral eles são sempre simpáticos para explicar tudo, até as coisas que são mais ousadinhas ou embaraçosas. Nunca tenha vergonha de dizer que não entendeu pois um fingir que entendeu em uma situação dessas pode ser um erro fatal e te colocar em maus lençóis (literalmente) 😅. Ah! e tecleie com um caderninho do lado para ir anotando TUDO.

4. Desenvolver o entendimento oral do idioma: Sem trocadilhos meu povo! Já somos bem ‘maduritos’ aqui né? rs. Brincadeiras a parte, aconteceu várias vezes dos príncipes me ligarem. E isso era um sufoco e uma maravilha ao mesmo tempo. Nada melhor que colocar todos seus sentidos na audição para entender ao máximo o que uma pessoa está falando do outro lado da linha. Você não tem nenhum recurso visual para te ajudar, e a única coisa que te resta é seu ouvido e sua bagagem no idioma para seguir conversando. Essa sem dúvida é uma das melhores coisas na tragetória de um estudante de idiomas imerso no país.

5. Evolução emocional: Quando você entra nessa aventura de viver em um novo país, seu coração deve estar aberto para absorver tudo que esse novo lugar pode te ensinar, e o mesmo se aplica nos relacionamentos. Minha amiga que vive em Londres chama isso de “Embrace”, ou como nós diríamos em bom carioquês, é o famoso “relaxa e aproveita”, para não ser grosseira com a expressão original. O que isso quer dizer? Quer dizer que, adptar-se é obrigatório. Derrubar barreiras e paradigmas também. E praticar o ajuste de tolerância uma exigência. Mesmo que você não ache uma namorada ou namorado, mesmo que não case e tenha filhinhos, mesmo que só tope com gente mal resolvida, estranha e com hábitos diferentes dos seus, extraia tudo que você pode! Ninguém é totalmente imperfeito, e sem o diferente a gente não cresce. Numa relação com uma pessoa estrangeira, a gente aprende muita coisa, sai da nossa casinha, vê as emoções e sentimentos sob um novo ângulo e aprende a ser multicultural nas relações também. Dei essa volta toda para dizer por exemplo que pessoalmente vi como o machismo muda um pouco para os gringos. Os conceitos de ciúmes, dominação masculina, submissão feminina mudam e mudam muito. A mulher tem mais liberdade. Os homens lavam, passam, cozinham e se viram com muito mais naturalidade. Os casais saem separados sexta à noite sim. A mulher pode passar um período sustentando a casa para o marido se desenvolver profissionalmente e vice versa. As pessoas são mais sinceras e diretas, a cafajestagem deixa de ser um lugar comum e a gente vai aprendedo a fazer o que quer, sem precisar daquela mentidinha para não magoar o outro. Claro que respeito ainda é uma obrigação, mas minha impressão é que as pessoas são mais honestas. A gente se despede do jeitinho brasileiro nas relações também.

6. Por fim, abrir ainda mais seus horizontes e ter a chance de encontrar sua metade da laranja de fato e se mudar de vez para um reino tão tão distante com um príncipe/princesa gringo(a), te amando em outro idioma. O que obviamente ainda não aconteceu comigo, mas tudo bem, segue o baile outra vez rs. Mas sem aplicar meu lado Drama Queen, muito pré conceito ronda esse tema, e muita hipocrisia também. Como parte de uma geração em constante avanço tecnológico, eu acho que para todos ônus tem o bônus, e neste caso comparo a ‘liquidez’ dos relacionamentos em eras de Tinder e as oportunidades que esse mesmo recurso pode trazer. As dificuldades de relacionamento sempre existiram, mas sem entrar na discussão filosófica, fato é: Dê uma chance para sua sorte, crie sua conta agora e comece a exercitar o idioma que você tem! Se não achar sua meia laranja, pelo menos você avança na língua local – E ressalto que o uso do trocadilho é opcional 🙃.

Mr Wonderful class=”alignnone size-full wp-image-1071″ src=”https://brasilenha.files.wordpress.com/2017/07/naranja-puterful.jpg” alt=”Naranja Mr. Puterful” width=”1024″ height=”1024″ /> “Acho que fizeram suco com a metade da minha laranja”. Piadinha fofa do perfil .[/ca

Dica bônus: Se estiver lendo isto aqui em Madrid, ou com planos de vir para cá solteiro (a) não deixe de ler nosso post sobre como estudar espanhol em Madrid de graça e se prepare antes de mergulhar nos apps 😉

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