Estudar espanhol de graça em Madrid

Madrid de graça: Como aprendi espanhol sem pagar

Para começar a história sobre minha vida aqui, vou lá no inicio. Na busca de cursos de espanhol na Espanha, quando ainda estava lá no rídjanêro, vi que todos eram muito caros, e isso inviabilizaria meus planos de 6 meses de intercâmbio. Foi então que (mesmo sem entender quase nada) comecei a procurar com a ajuda do google tradutor cursos de espanhol gratuitos em Madrid. Resumo: ENCONTREI. Ok, que encontrei na página 20 dos resultados do Google, mas achei. Na verdade, encontrei mais de um e vou listar abaixo o que vi, mas antes de apontar os endereços e telefones, existem duas regrinhas para você não tomar um passa fora na hora de pedir uma vaga.

Estudar espanhol de graça em Madrid

Estudar espanhol de graça em Madrid

Bem vindo ao guia de como Estudar Espanhol de graça em Madrid!

Regra número 1: Entenda os níveis de conhecimento de idiomas

Sobre esta regra eu posso estar falando algo que muitos já sabem, mas como eu não sabia e tive que aprender aqui na Europa, explico: Aqui nosso domínio de um idioma é ‘medido’ por graus pelo Quadro Europeu Comum de referência para Línguas. Este padrão define 6 tipos de níveis que medem os graus de expressão, compreensão e oral e escrita. Estes níveis são usados em algumas empresas nos perfis das vagas, em provas para pedido de cidadania, e claro, em cursos de idiomas. Estes níveis são:

Níveis A1 e A2 (Usuário básico): Domínio de expressões e entedimento de situações básicas do dia-a-dia e da vida familiar. Pode se comunicar com nativos, desde que estes falem calma e pausadamente.

Níveis B1 e B2 (Usuário independente): Pode entender textos básicos que não fogem às suas áreas de conhecimento, nem à sua rotina, como por exemplo no ambiente de trabalho. Neste nível já pode interagir com nativos sem muitas dificuldades para ambas as partes.

Níveis C1 e C2 (Usuário competente): Compreende textos abstratos com ideias subjetivas, tem amplo vocabulário sem apresentar dificuldades para se expressar claramente suas ideias ou conceitos mais elaborados. Além disso, já domina expressões coloquiais.

A regra número 2: Seja nível A

Para ser aceito neste tipo de curso, você precisa saber pouco ou quase nada de castelhano. Porquê? Porque o objetivo desses cursos é facilitar a inserção do cidadão estrangeiro na sociedade. Eles entendem que tão logo você já saiba se expressar, já pode se comunicar e tem condições de desenvolver o idioma no dia a dia, dando lugar em sala de aula para quem não sabe nada.

Então, se você não sabe nem o básico, ou só tem o Portuñol, e quer melhorar essa situação, já posso te dar dicas de onde estudar sem pagar nada (ou quase nada) aqui em Madrid.

Opção 1: Oficinas Municipais de Extranjeria del Ayuntamiento de Madrid

A prefeitura de Madrid (ayuntamiento) tem Oficinas de Extranjeria espalhadas pela cidade. Elas tem diversos tipos de serviços para facilitar a integração o cidadão estrangeiro, entre eles, assessoria jurídica, cursos profisionalizantes, cursos para pedido de cidadania e os cursos de Español.

Os Cursos de Espanhol são dados nas unidades de Tetuán (zona noroeste do centro de Madrid, de fácil acesso pelo metrô), e Embajadores, zona ao sul do centro de Madrid. Encontrar informação nos sites da Espanha é bem confuso, assim que podem haver mais unidades com esse serviço, mas eu só encontrei estas duas.

Como se inscrever? Para entrar nas aulas, é preciso entrar em contato com as unidades presencialmente, por telefone ou email (pode demorar mais) e perguntar pelos cursos. Eles te darão uma data onde todos os candidatos são reunidos e passam por uma rápida entrevista com os professores, que neste momento avaliarão seu grau de conhecimento e te alocarão em alguma das turmas abertas.

Como são as aulas? As turmas podem variar de tamanho, e normalmente em um período essa quantidade é bem flutuante pois tem gente entrando e saindo ao longo do curso. A frequência é muito heterogênea e multicultural. Eu estudava com chineses, angolanos, franceses, italianos, albaneses, japoneses, indianos, ucranianos…  Pessoas mais novas, mais velhas. Com situação irregular e também regular. Enfim, o mundo todo chega nessas aulas.

No meu período de aulas, eu tinha aula teórica 3 vezes na semana, e um dia extra de conversação, onde éramos provocados a conversar sobre temas genéricos, com mediação das professoras.

Sobre as aulas teóricas: Na minha opinião, elas foram muito boas. As professoras eram formadas no que nós chamamos de Letras, ou seja eram professoras de Espanhol, e no caso da minha, ela era pós graduada em ensino para estrangeiros. Eu fui classificada para uma turma de B1 já que brasileiros, franceses e italianos difícilmente ficam muito tempo no nível A devido às semelhanças dos idiomas de origem latina. Neste nível estudamos basicamente e muito detalhadamente os tempos verbais (minha maior dificuldade até hoje). Além disso tinhamos também aulas de gramática, orações subordinadas, interpretações de texto, e com a simpatia da professora tínhamos também pílulas coloquiais e muito divertidas de palavras ‘callejeras’ ou ‘palavras da rua’, usadas informalmente no dia a dia.

Sobre as aulas de conversação: A polêmica vinha à tona, e um aspecto bem particular de uma inserção internacional na Espanha ficava exposta. A Espanha é um país ‘de braços abertos’ a todo o mundo e muitas culturas, mas no dia a dia o cidadão espanhol ainda conserva suas defesas. Neste caso, as professoras que eram as mediadoras, também participavam com suas opiniões e em especial os assuntos religiosos e de gênero (homosexualidade) causavam discussões acaloradas gerando alguns desconfortos. Digo isto pois a dica é, se você é sensível a estes assuntos melhor se policiar para não ser convidado a se retirar do curso (já vi acontecer).

Minha recomendação: Indico muito! Esse foi meu segundo curso de espanhol, pois minha fase no nível A eu passei no curso que explicarei a seguir. Nele que eu realmente aprendi muito o uso do idioma, e avancei bastante.

Opção 2: Hermandades del Trabajo

A Hermandades é uma instituição apostólica e social financiada pela igreja católica, formada “Por trabalhadores para trabalhadores” – palavras deles –  com objetivos parecidos com os das oficinas de extranjeria de ajudar a população na integração social e laboral.

Como se inscrever? As inscrições podem ser feitas ao longo do curso em desenvolvimento. O telefone é +34-91 447 30 00, e a instituição fica muito bem localizada perto do centro da cidade, com bom acesso pelo metrô (Estações Iglesia, Trafalgar ou Quevedo), e em um dos bairros mais charmosos e nobres de Madrid na minha opinião – Chamberí. (Se for lá não perca a oportunidade de apreciar a pracinha de Olavide, que foi minha paixão à primeira vista). Endereço:  Calle Raimundo Lulio, 3. No meu caso eu liguei antes de ir pois as inscrições não são feitas todos os dias da semana, e recomendo que tente fazer essa ligação antes para não dar viagem perdida pois eles também fecham o atendimento no meio da tarde por conta da Siesta. Quando liguei, a pessoa da inscrição só estava lá segundas e quintas, mas como isso já tem mais de um ano pode ter mudado. Aliás, essa ligação foi uma das minhas primeiras tarefas desafiadoras aqui, acho até que a primeira ligação que fiz para falar espanhol com 3 dias de chegada na cidade… #tenso. Chegando na pessoa da inscrição, em uma rápida conversa, ela me pediu para preencher um formulário (que já funciona como avaliador de nível). Nível identificado, ela me pediu para fazer um pagamento simbólico para as cópias dos livros usados nas aulas. Quando me inscrevi paguei 10€ válidos por 4 meses de curso ( o que restava de aulas até a conclusão deste módulo e as férias de junho).

Como são as aulas? Os professores são profissionais aposentados de diversas áreas, e seguidores da igreja católica. Mas não há nenhum tipo de catequismo… Nas minhas aulas lá também tinha gente de todas as culturas e religões, e em uma delas, uma mussulmana nos explicou o Ramadán. Como pagamos 10€, a cada lição, os professores nos dão cópias de capítulos de livros de estudos de idioma, referentes ao nível que fomos classificados. As aulas são leves e muito participativas, mas sem muito enfoque gramatical e verbal como do curso das oficinas de extranjeria.

13497970_1019393788096945_8060568023114106905_o.jpg

‘Acto de clausura’ das turmas de 2015/2016, quando me formei em A2 junto com Ucranianos, indianos, brasileiros, chineses e franceses. Ao meu lado meu querido professor Gérman, aposentado em Filosofia e pura simpatia.

Minha recomendação: Indico muito para pessoas com bastante dificuldade no idioma, ou quem quer complementar um estudo mais intenso. Além de ser um ambiente muito acolhedor, o que vem bastante a calhar quando você está em um país novo e totalmente sem referências de afeto e carinho espanhóis.

Opção 3: C.E.P.A. Centro de integración para Adultos

Também são núcleos de apoio social, desenvolvidos pela comunidade de Madrid. Confesso que não sei falar muito sobre estes centros pois não cheguei a estudar neles. Sabia que era uma opção, mas como com os dois anteriores alcancei o nível B1/2, já não era mais aceita em nenhum deles. Mas fica aqui a dica. Estes centros são voltados para educação adulta, com várias oficinas (aqui chamadas de taller) e cursos de formação, que incluem os idiomas. Na comunidade de Madrid, são mais de 59 unidades destes centros, e o ideal é você encontrar qual delas oferece o curso de Espanhol que esteja mais perto da sua residência. Aqui tem o link do portal da secretaria de educação de Madrid falando detalhadamente sobre esta opção. 

Conclusão

Como disse antes, nativos de língua portuguesa não encontram muitas dificuldades nos primeiros níveis do espanhol, devido as similaridades entre os dois idiomas. É possível vir sem estudar e ir se virando? É, mas é feio, porque eles até entendem nosso portuñol, mas não é bonito, além de ser uma barreira de entrada no mercado de trabalho, ou acesso a cursos especializados na sua área de formação, caso seu objetivo aqui seja estudar.

Outra questão desses cursos é a sua disponibilidade horária, pois as aulas são dadas durante a semana em horários comerciais. Então caso você esteja em fase de adaptação ainda sem ocupação ou com horários de trabalho alternativos, vale a pena ir atrás e avançar sua fluência. Lembre-se que sua situação legal não te impede de ir até estes centros para estudar nem buscar ajuda pra quaisquer que seja seu caso.

Texto longo, mas bem detalhado… Espero que possa ajudar quem quer se aventurar por aqui. E se você conhece alguma opção a mais de estudos de espanhol gratuitos, deixe seu comentário para ajudarmos quem ainda está gastando o espanhol abrasileirado.

14 comentários sobre “Madrid de graça: Como aprendi espanhol sem pagar

  1. Mariana Brigido disse:

    Morei alguns anos em Madrid.
    Seu blog tem uma riquesa de detalhes e dicas preciosíssimas. Não tive a sorte de ler uma página dessa em 2006. Facilitaria minha vida pela metade.
    Parabéns! Tá show!

    Curtido por 1 pessoa

  2. nathalia gurgel disse:

    Oi Rafaela, muito obrigada pelas dicas… estava procurando cursos acessíveis em Madri e achei seu blog! Vou olhar tudo pois quero ir ano que vem morar por ai.

    Se possível, queria tirar umas duvidas com quem ja mora na Espanha, sera que posso mandar um email? Prometo não tomar muito do seu tempo e são perguntas básicas e rápidas.

    Eu vou me aventurar sozinha e nao conheço ninguém por ai e o medo bate varias vezes!

    beijos
    Nathalia

    Curtir

  3. Thianne disse:

    Hola! Obrigada pelas dicas! Sabe qual seria o procedimento para conseguir um visto de estudante para estudar nesses cursos gratuitos? Bjos e obrigada!

    Curtir

    • Brasilenha disse:

      Oi Thianne! Esse tipo de curso somente serve para quem já está na Espanha. Para visto de estudante você precisa contratar um curso (seja de idioma ou de graduação/pós graduação com no mínimo 20h semanais e por mais de 3 meses 😉

      Curtir

  4. Natalia Gomes de Moura disse:

    Ooi, posso te aperrear um pouco? Então… eu tenho família na Espanha e pretendo passar uns 6 meses por ai, sendo que não queria ir só para passeio, queria ir para estudar e me aprofundar na língua, pois sou formada em Letras. Procurando cursos vi seu blog, no meu caso eu poderia fazer um desses cursos gratuitos?

    Curtir

    • Brasilenha disse:

      Oi Natalia! Não, esses cursos não servem pois para permanecer mais de 90 dias na Espanha você precisa de alguma permissão (visto/cidadania/contrato de trabalho prévio). O mais fácil de todos é o visto de estudante que você aplica (se candidata) no consulado aí no Brasil (antes de chegar na Espanha) e vai precisar da carta convite que do instituições de ensino regulares poderão emitir para você 😉

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.